ANTONIO CLAUDIO LAGE BUFFARA - A MATEMÁTICA E AS PESQUISAS ELEITORAIS

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A eleição de 1936, nos Estados Unidos, ficou para a História, e não só a daquele país. Isso porque o pleito disputado entre o democrata Franklin Delano Roosevelt e o republicano Alfred Landon marcou o aparecimento da metodologia científica de análise prospectiva de votos. Ou a pesquisa eleitoral, como hoje a conhecemos.

Após entrevistar milhares de eleitores, uma empresa de estatística, então pequena, concluiu que o país reelegeria o democrata Roosevelt para mais um mandato. A previsão correta alçou a companhia ao posto de prestigiado porta-voz eleitoral estadunidense, além de tornar um método de análise o consagrado para o estudo desse tipo de dados.

E ele consiste no seguinte: imaginemos que 50% do eleitorado realment existente – isto é, a massa de eleitores – deseja eleger o candidato A. Por conseguinte, se pegarmos 1000 eleitores ao acaso, sem preferência por região, idade, sexo ou disposição ideológica teremos como probabilidade que essa fatia do eleitorado total reflita aquela realidade integral, com uma pequena margem de erro. Teríamos, portanto, que o candidato A, dentro dessa amostragem, tenderia a ter entre 47% e 53% dos votos – com uma margem de erro pde 3% para cima e para baixo.

De onde vêm esses cálculos? A resposta é: da probabilidade, a ciência do “acaso”. Para a pesquisa acima funcionar, reza os cânones da metodologia, é extremamente necessário que a amostragem selecionada – isto é, o contingente de mil eleitores – reflita rigorosamente as particularidades, em suas proporções exatas, do corpo total do eleitorado. Assim, temos de respeitar a proporcionalidade de jovens e velhos, homens e mulheres, o nível de educação, a raça, as regiões do país, etc. Além disso tudo, eles devem ser escolhidos ao acaso, para evitar “vício” da pesquisa.

A partir daí, com a posse dos dados, começa um trabalho relativamente mais simples: o de estatística. Cabe aos estatísticos o estudo da massa de informações que chega até eles, a fim de selecionar e classificar em dados coerentes e apresentáveis. O resultado é a pesquisa eleitoral que chega até você por jornal ou televisão. Elas tendem a ter 5% de chance de erro – ou, em números reais, uma a cada 20 pesquisas estará errada, e não há nada que se possa fazer sobre isso.

Saindo do reino da matemática, passando para a sociologia, devemos concluir que nem tudo é ciência exata em uma eleição. As pesquisas, além de função diagnóstica – isto é, de identificar um padrão e uma possibildiade previamente – tem também inegável papel prognóstico – ou de encaminhar ações e comportamentos. Cientes das probabilidades eleitorais divulgadas por pesquisas, ajustamos nossos votos para favorecer este ou aquele candidato; ou ainda prejudicar este ou aquele. É conhecendo seu poder que muitos candidatos denunciaram a prática ao longo da História. Ela continua, todavia, marcando toda eleição em nosso e em outros países.

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