ANTONIO CLAUDIO LAGE BUFFARA - MATEMÁTICA E A FILOSOFIA

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A relação entre filosofia e matemática não é tão óbvia. Com a especialização profissional, as áreas do conhecimento ganharam autonomia e, consequentemente, passaram por um processo de isolamento mútuo. Mas nem sempre foi assim. Filosofia e matemática, durante a antiguidade clássica grega, por exemplo, representaram as mesmas prática e forma de conhecer o mundo.

Poderíamos ir além, mas chegar a Pitágoras (570-495 a.C) já é suficiente para provar nossa tese. Esse filósofo produziu um modelo de extrema importância para concepção da natureza. Sua criação tem óbvia influência do que hoje chamaríamos de matemática, tanto que seus teoremas ainda são ensinados nas aulas da disciplina.

Mas como operamos atualmente a distinção entre filosofia e matemática? Mais: como  podemos aproximá-las novamente, a fim de ampliar o potencial de ensino-aprendizagem de ambas disciplinas?

À primeira questão responderemos com um exemplo didático. Imaginemos uma floresta, na qual uma folha cai da copa da árvore. Enquanto a filosofia tentaria explicar por que as folhas caem, à  matemática restaria dizer como se dá esse processo - caminho que seria intransitável sem o auxílio da física, por exemplo, como bem o soube Isaac Newton.

Já no que toca à aproximação entre as duas disciplinas, o ganho lógico, fruto do estudo das referidas áreas de conhecimento, indubitavelmente retroalimenta a capacidade de apreensão de dados específicos de cada objeto de estudo. No fundo é tudo questão de fundamentação intelectual - produto farto das referidas disciplinas.

Infelizmente, o Ensino Médio tem seguido caminho diferente do aqui indicado. Em vez de reforçar o aprendizado  concomitante de diferentes saberes, caminhamos atualmente rumo à  especialização técnica. A ênfase em português e matemática justificam o ponto. Consequências de um saber permeado pelo utilitarismo do mundo moderno, cada vez mais árido para o pensamento dito contemplativo.


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