O SABER ACADÊMICO E O SABER ESCOLAR: O CASO DA MATEMÁTICA

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O distanciamento entre academia e escola é um dos problemas da educação no Brasil. Não são poucos os professores que reclamam de uma formação inadequada para a prática docente nas universidades do país. Uma das razões para tal é o tendencial afastamento entre dois tipos distintos de conhecimento: o saber acadêmico e o saber escolar.

De fato, a proposta universitária é o desenvolvimento técnico e científico, e só secundariamente a formação de quadros para a atuação no mundo produtivo – ou, no caso das licenciaturas, do ensino básico. Contudo, isso não precisa significa um isolamento das duas instâncias educadoras. É preciso restaurar laços de conexão entre os dois saberes que, apesar de diferentes, podem dialogar.

No caso da matemática, a pesquisa científica pode auxiliar o professor a conhecer os últimos avanços de sua disciplina, os quais, após passar por uma fase de transposição didática, podem enriquecer sua prática docente. Na outra ponta da corda, é o contato com o mundo escolar que permite pesquisas acadêmicas mais orgânicas, isto é, conectadas às necessidades sociais – o que auxilia a romper o pretenso isolamento científico, em todo daninho para o desenvolvimento da própria ciência.

Mais recentemente, as universidades iniciaram um movimento de reorientação de seus planos de estudo, sabedoras que são da necessidade da maioria de seus alunos. Estes, no caso das licenciaturas, acabaram mesmo lecionando no ensino básico, e por isso sua formação deve ser adequada para enfrentar os desafios específicos da profissão. O ensino de matemática, por exemplo, tem crescido nos programas de pós-graduação, sobretudo com a introdução progressiva de mestrados profissionais devotados ao desenvolvimento de novas técnicas de ensino-aprendizado de matemática.

Eis, portanto, nosso argumento. É necessário, para um desenvolvimento otimizado da ciência e dos professores, o intercâmbio progressivo entre aqueles dois saberes. Professores de matemática, voltem à academia para uma formação continuada. O pensar teórico sobre nossa prática docente é fundamental, para o aprimoramento de nossas competências docentes.





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