A MATEMÁTICA E SEU SENTIDO NO MUNDO

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“Nunca usarei essa fórmula no meu dia a dia”, é uma objeção que muitos professores de Matemática já ouviram no trabalho. Devemos nos perguntar o porquê, já arriscando que talvez o método de ensino tenha algo a dizer. De fato, não são raros os docentes que tornam, em sua exposição, a matemática um corpo estranho no mundo, como se fosse uma ciência de alguma forma isolada, fechada em seus próprios teoremas. É tempo de incentivar outros olhares. É hora de lembrar que a matemática nada mais é que uma linguagem nascida da sociedade que dela nunca se afastou.

Para tanto, convém demonstrar como a matemática é capaz de transformar o mundo. Utilizaremos exemplos práticos de como o desenvolvimento dessa ciência mudou nossa vida. O computador que você usa para nos ler, por exemplo, não teria sido produzido sem a lógica binária. Ou pelo menos não teria essa forma. Os telefones precisaram esperar o estudo estatísticos de sinais e os algoritmos de digitalização e compreensão de dados. Se for um leitor atento, à essa altura você já sabe onde quero chegar: sem matemática, não existiria internet, não existiria Facebook, não existiriam memes...parece horrível, não é?

Em escala social, seria interessante lembrar que a linguagem matemática ordena a produção de mercadorias em escala global. Agradeça a ela suas encomendas da China, de Nova Iorque, do Paraguai. Você, caro leitor resistente, poderia lembrar que essa produção ajuda a destruir a natureza. Mas aí a culpa não é da matemática, mas do uso que homens e mulheres fazem dela. Podemos sempre fazer melhor!

Entender essa ciência dessa forma torna seu aprendizado mais interessante. É uma nova experiência observar quadros renascentistas – aqueles de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio e as outras tartarugas ninjas... – buscando ali as referências matemáticas. Eles seriam impossíveis sem um conhecimento apurado da geometria, disciplina que todos esses mestres estudaram a fundo. Portanto, fica a lição: mesmo se sua inclinação for pouco científica e, no fundo, tudo que você queira seja vender sua arte na praia, estude matemática!

Para finalizar, gostaria de falar diretamente aos professores. Busquem demonstrar como nosso saber é a base para a construção do mundo em que vivemos. Não é necessariamente o caso de endeusar o mundo – que, sabemos, tem lá seus problemas –, mas de valorizar a Matemática como instrumento potente de transformação social. Se procedermos assim, talvez a objeção que abriu esse texto se torne cada vez mais rara em nossas salas de aula.

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